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Eu vou tentar não falar muito da convidada de hoje, mas é difícil, principamente depois que recebi o e-mail com texto e imagens do post de hoje. Ele veio com cheiro de casa de Tia, com gosto de geladinho de nescau que me fizeram viajar alguns anos no passado. Uma infância cheia de aventuras, brincadeiras com gesso, escorrego em barranco de terra e uma bronca por voltar com o short rasgado, mas uma bronca com um sorriso contido sabe?
E não quero falar pra que vocês possam lê-la e sentí-la. Ela nos mostra as peripécias que faz pela casa, mas, pra mim suas maiores peripécias são as palavras. As palavras que ela escreve e pelas quais nossos olhos caminham, sem sentir que o tempo passa.
 
Eis As Peripécias de Léa Cristina
Casa é miniatura de mundo. 
 Vou enfeitando e alegrando meu mundo com tintas e palavras, pessoas e bichos, lembranças e esquecimentos. Minha casa é um livro feito de historinhas que vamos criando e ilustrando.
Há um cômodo onde coloquei armadores de rede e que serve para ler, descansar, pensar na vida. Antes servia para imaginar o que colocar naquela parede tão vazia… um espírito de pichador se insinuava e nunca partia pra ação. Falava pros filhos “ai, que parede vazia!! ” Um dia, viajei. Quando voltei, meu filho Artur, tinha feito a surpresa:
 Escrevi para ele:
Manda comprar umas tintas: azul, branca, amarela
Mancha a parede de fundo, aparência de velhice… dá lá
Mandinga de tom e brilho, círculos, na sala
Manda Léa viajar, pra quando chegar: surpresa!
Passei a amar tanto as mandalas que fiz um monte de mandalinhas com plotagem para alegrar um quarto:
O pedreiro veio revestir de pedras uma parede no jardim e eu pedi que deixasse um retângulo vazio: Pintei outra mandala.

 Fui fazer um passeio em uma loja de R$ 1,99 (eu adoro! ) e comprei coisinhas coloridas, tão lindas! Aí fiz outra mandala na varanda lateral da casa. Ela reina entre as plantas!
 Então, com a casa cheia de energia, com tanta mandala, resolvi plantar uma horta, mas para tudo correr muito bem, providenciei um espantalho e escrevi minhas ordens:
Tu és “planta alho”! alho, cebola, tomate, manjericão.
Ai de ti se não der conta da tarefa!

À noite serás um espanta olho.
Ai do olho que te olhar por entre os galhos das plantas, sacudindo-se com o vento!

Então tu esplant’alho e espant’olho!
Se não der conta da tarefa, serás um explantalho e um expantolho!

Cuida!

Com o quintal bem protegido, parti para o jardim. Artur, novamente, criou o nosso totem. Está lá, protegendo a casa dos maus espíritos:
 E para garantir toda defesa, em um canto da sala, arrumei as armas medievais que Artur havia criado, antes, muito antes de entrar para a Escola de Belas Artes. E para assinar suas obras, coloquei sobre um pedestal o seu primeiro trabalho de 3D na Escola: uma imagem de si mesmo:
 Estão pensando que meu único filho é Artur? Não, não! Paulo, o mais velho tem o seu lugar, também. Quando saiu de casa para estudar Composição e Regência, preparei o seu quarto pensando na próxima visita. Ele é de abril, outono, então pintei um trecho de Outono de Vivaldi, escrevi um poeminha e sentei na porta para esperá-lo:
 Agora pensam que tenho só dois filhos? Não. São três! O lugar de Vítor é muito especial. Acho que juntei todos esses livros também para ele. Adoramos livros!!!
Mas, pra falar a verdade, acho que nossa anfitriã, Eva (que eu chamo de Cárol, assim mesmo acentuado), deveria convidar Vítor. Ele fez cada coisa no apartamento de estudante. A decoração dá um livro de bom humor e irreverência, tem até santuário dos bonecos!
Por fim, a parte dedicada aos quatro filhos-cachorros: Guriatá, Chimbica, Pitombo e Birimba… Quando recebo visitas, eles, muito ciumentos, precisam ser contidos: Fiz esse portalzinho tão mimoso. Chamo-o não de portal, mas, sim, port-au!
Para inventar, agora troquei de lugar. Pintei uma árvore na minha varanda, amarro uma rede e fico lá ouvindo os passarinhos…chego penso que tô no campo!
É isso aí. Um beijão.
Sim e qum ficou se perguntando, ela é sim minha Tia querida, irmã da já conhecida de você Margaret. Tia com a qual passei quase todas as férias da infância e da qual sinto uma saudade enorme.
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